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quinta-feira, 7 de março de 2013

Carta para você


Meus olhos semicerrados e frios contrastavam com o tempo bonito que fazia lá fora, pensei em vestir um suéter e ir até a padaria tomar um café. Desde que você foi embora eu havia perdido a vontade de fazer cafés da manhã elaborados como eram quando nós ainda comíamos juntos.
Olhei para aquela casa vazia e instantaneamente me senti vazia também, quando digo vazia, digo vazia sem você. Os móveis permanecem da maneira que você deixou.
Os dias se arrastaram dali por diante e foi assim por um bom tempo. Casa, trabalho e faculdade, nenhuma novidade até ai.
Resolvi que iria mudar de alguma maneira, voltei a academia, as aulas de violão e natação. Aquelas poucas horas entretida faziam eu me esquecer um pouco de você, ou melhor, de nós.
Passava das 17 hrs de uma terça-feira, sai, sai para espairecer, para esquecer, tanto faz.
Parei no primeiro café aberto e me sentei para ler um livro, pedi um cappuccino, lembrei de como você gostava de cappuccino, quando me dei conta a noite havia caído e eu continuava ali, pensando em nós, novamente a palavra NÓS me perseguia. No café sobraram eu e um rapaz, comecei a reparar nele, procurando algo seu em outro alguém, ele tinha os ombros largos e corpo viril, cabelos escuros e pele branca, diferente de você, que tinha cabelos loiros e corpo frágil. Me peguei pensando como ele deveria ser uma boa pessoa e pensei em como ele reagiria se eu fosse até lá e pedisse um pouco do seu açucar para adoçar o meu cappuccino que parecia tão amargo quanto o meu humor.
Passei por aquele rapaz e sustentei o olhar, me abstive em parar e voltei para casa, antes nossa e agora apenas minha.
No dia seguinte resolvi que iria no café novamente e ele o mesmo rapaz do dia anterior estava lá, sentado tomando seu café, sentei-me na mesa ao lado e o observei, ele fitou meus olhos de uma maneira tão intensa, que quase me senti invadida, ele tinha os olhos negros e profundos, carregavam uma certa tristeza e eram hipnotizantes, não sei como e nem em que momento, mas, me vi levantando e indo até ele. Aquele olhar me prendeu e acredite ou não, aqueles olhos eram mais belos do que os seus, e eu senti, senti paz naquele olhar.
Naquele momento eu tive a certeza, a certeza de que não havia mais nada que me prendia a você, parei de pensar em me lamentar por termos tomado caminhos diferentes. Eu podia ser que eu quisesse, me senti dona do mundo. Dona de mim. Dali a frente eu viveria da maneira certa, a maneira certa para mim.
Me ajeitei na cadeira ao lado do rapaz de olhar penetrante e percebi que queria aquele olhar para sempre.

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