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sexta-feira, 8 de março de 2013

Amor de verão



Fazia sol em Maresias, naquele 5 de janeiro. Alto verão, sol, piscina, praia, ondas, romance e muito, mas MUITO MAIS. A galera toda já havia bebido mais que o suficiente para um sábado a tarde. Olhei para todos os lados a procura dele, sim, existe um "ELE" na história, mas é claro que existe um romance. Se não existisse, por quê eu haveria de contar uma história, não é ?
Ele era lindo, másculo, charmoso, educado, um tanto quanto egocêntrico e bonito, BONITO demais. Ser tão bonito era o problema de Marcos, todas as garotas queriam um pedacinho dele, o pior é que dentre todas as concorrentes eu era a mais comum (para não dizer feia).
Vou me descrever para que não haja dúvidas. Sou baixinha, tipo 1,65, loira, quer dizer, sou morena, mas, tenho californianas, quase loira, né ? Tenho olhos castanhos e corpo comum, nem gordinha, nem magrinha, simplesmente, comum. As minhas concorrentes eram loiras, gostosonas e sensuais. E eu, pobre de mim, uma mera estudante de letras da PUC de SP. Alias, ainda no primeiro semestre.
Já havia desistido de Marcos aquela altura do campeonato, já havia desperdiçado todos os meus truques de sedução e nada dele me notar. O belo dia que eu me conformei e parei de dar bola, ele veio atrás de mim, dá pra acreditar como os homens são previsíveis ? Papo vai, papo vem, chegamos a primeira ficada, que aliás, nem foi tão boa quanto eu esperava. Só que para minha tristeza (ou alegria?) ele me desprezou no dia seguinte. Depois de tantos amassos ao som de Planta&Raiz, todo aquele clima praiano e descontraído e lá vou eu voltando sozinha para minha barraca.
Não que tenha sido por falta de aviso, todas as minhas amigas disseram que ele era um galinha, que não ligava para ninguém, e todas essas coisas que amigas dizem, mas quando eu coloco algo na cabeça...
Por ironia, ou sorte, o destino colocou outro cara na minha vida, não tão bonito e muito menos másculo. Guilherme apareceu todo desajustado, usando uma bermuda de listras, um óculos de nerd e aparentemente meio chapado (esse talvez seja o seu estado normal). Eu estava fazendo o trajeto do luau para o camping quando ele esbarrou em mim e derrubou o meu copo de cerveja, claro que ele se desculpou e ofereceu outra para compensar. No meu estado atual de desolação, achei que nada poderia piorar a minha noite, sendo assim, aceitei o convite dele.
Acabei descobrindo que além de parecer nerd, Guilherme era muito nerd de verdade, músico, artista plástico e amante de bons livros. Claro que a bebida ajudou o nosso entrosamento, travamos uma longa conversa sobre o modernismo brasileiro e grandes escritores mundiais.
Para o meu maior desolamento, fui para cama (barraca), com Guilherme, e não que eu me arrependa, longe de mim. Claro que foi bom, mágico e totalmente bêbado. Quando estamos bêbados tudo é mais bonito.
No dia seguinte a nossa noite de amor, ou sexo selvagem e louco, nós acordamos e olhamos um para outro com aquela cara de “Eu falo, ou você fala?”, eu desinibida que sou, abri a boca e joguei a real. “Guilherme, você é um cara bacana e eu adorei a noite, mas, acontece que eu na atual  circunstância, não estou à procura de um romance”. Se arrependimento matasse eu estaria à 7 palmos do chão com absoluta certeza. Que tipo de mulher faz isso ? Será que eu me infectei com o “galinhisse” de Marcos ? Só sei que me vi proferindo aquelas palavras e já era tarde demais, não dava para empurrá-las de volta para a boca.
Guilherme pegou suas coisas e saiu do seu jeitinho desastrado e sumiu da minha vista, nos dias seguintes de férias não o vi em nenhum canto. Até tentei procurar, mas acabei desistindo depois de ouvir um longo sermão de Thaís, dizendo quão sem sentimentos e grosseira eu era. Ai vai mais um detalhe sobre a minha vida, só tenho amigas donas da razão, mas o pior é que elas sempre tem razão.
Voltei para São Paulo, para a minha rotina, sou colunista em uma revista do meu bairro, escrevo sobre aleatoriedades, cinema, artes entre outras coisas. Fui para a faculdade naquele dia pensando apenas em matar aula e ir tomar uma gelada no bar. Perdi uma aula importante, que compensou muito.
Chegando no bar, pedi a minha cerveja e acendi um cigarro. Pensei na vida, desabafei com as amigas e decidi que arrumaria o amor da minha vida em breve. Levantei com o meu copo na mão e fui em direção ao banheiro e por incrível que pareça, ele, SIM, ele, Guilherme esbarrou em mim e derrubou a minha cerveja novamente, como se fosse um filme, só que menos glamoroso. Sentamos em uma mesa e continuamos um papo descontraído sobre como a vida nos surpreende.
Pois é, o amor acontece de repente e chega com cautela. E quem foi que disse que amor de verão não sobe a serra ?

quinta-feira, 7 de março de 2013

Carta para você


Meus olhos semicerrados e frios contrastavam com o tempo bonito que fazia lá fora, pensei em vestir um suéter e ir até a padaria tomar um café. Desde que você foi embora eu havia perdido a vontade de fazer cafés da manhã elaborados como eram quando nós ainda comíamos juntos.
Olhei para aquela casa vazia e instantaneamente me senti vazia também, quando digo vazia, digo vazia sem você. Os móveis permanecem da maneira que você deixou.
Os dias se arrastaram dali por diante e foi assim por um bom tempo. Casa, trabalho e faculdade, nenhuma novidade até ai.
Resolvi que iria mudar de alguma maneira, voltei a academia, as aulas de violão e natação. Aquelas poucas horas entretida faziam eu me esquecer um pouco de você, ou melhor, de nós.
Passava das 17 hrs de uma terça-feira, sai, sai para espairecer, para esquecer, tanto faz.
Parei no primeiro café aberto e me sentei para ler um livro, pedi um cappuccino, lembrei de como você gostava de cappuccino, quando me dei conta a noite havia caído e eu continuava ali, pensando em nós, novamente a palavra NÓS me perseguia. No café sobraram eu e um rapaz, comecei a reparar nele, procurando algo seu em outro alguém, ele tinha os ombros largos e corpo viril, cabelos escuros e pele branca, diferente de você, que tinha cabelos loiros e corpo frágil. Me peguei pensando como ele deveria ser uma boa pessoa e pensei em como ele reagiria se eu fosse até lá e pedisse um pouco do seu açucar para adoçar o meu cappuccino que parecia tão amargo quanto o meu humor.
Passei por aquele rapaz e sustentei o olhar, me abstive em parar e voltei para casa, antes nossa e agora apenas minha.
No dia seguinte resolvi que iria no café novamente e ele o mesmo rapaz do dia anterior estava lá, sentado tomando seu café, sentei-me na mesa ao lado e o observei, ele fitou meus olhos de uma maneira tão intensa, que quase me senti invadida, ele tinha os olhos negros e profundos, carregavam uma certa tristeza e eram hipnotizantes, não sei como e nem em que momento, mas, me vi levantando e indo até ele. Aquele olhar me prendeu e acredite ou não, aqueles olhos eram mais belos do que os seus, e eu senti, senti paz naquele olhar.
Naquele momento eu tive a certeza, a certeza de que não havia mais nada que me prendia a você, parei de pensar em me lamentar por termos tomado caminhos diferentes. Eu podia ser que eu quisesse, me senti dona do mundo. Dona de mim. Dali a frente eu viveria da maneira certa, a maneira certa para mim.
Me ajeitei na cadeira ao lado do rapaz de olhar penetrante e percebi que queria aquele olhar para sempre.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Assim que a gente acabou


Nesse momento eu estou deitada na areia da praia, passa das 16 horas, o lugar é tão lindo, parece tanto com a gente, ou melhor, com você. Se você estivesse aqui, com certeza, estaria pirando. Você sempre gostou de natureza, lembra daquela vez que fizemos uma trilha e você me OBRIGOU a ir ? Eu odiava esses seus programas, costumava dizer que eles eram de "índio", mas você sempre me convencia no final. Sabe eu pensava que por nós sermos tão diferentes dariamos certo.
Naquela manhã de verão logo depois do nosso café da manhã super caprichado você disse que nunca havia sentido aquilo que sentia por mim por ninguém, você sabia mentir bem. Eu me achava perfeita do seu lado. Costumava fazer inveja para as minha amigas, dizia que você era o melhor cara que eu já havia conhecido. Mas como sempre me enganei.
Você tinha manias tão irritantes, mas eu amava cada uma delas, como por exemplo, sua mania chata e fofa de ficar esfregando os pés nos meus, eu chamava de mania, mas talvez não fosse. Sinto falta disso, claro eu não deveria te dizer, porque da maneira que eu te conheço você se vagloriaria por isso.
Eu não consigo imaginar o que houve com a gente, era para ser perfeito, lembra ? O fato é que nós nos enganamos, pensavamos de maneiras tão diferentes, porque daria certo né? E eu que imaginei um futuro pra nós, e eu sempre fui sonhadora, como você mesmo dizia ' Laura em que mundo você vive'. Hoje eu sei em que mundo eu vivia, NO SEU mundo, cheio de cor e potes de ouro no fim do arco-íris. Mas eu não me arrependo de termos terminado assim.
Vamos nos redescobrir, vamos viver a vida, não foi isso que você me disse 'VAMOS VIVER A VIDA'. Eu espero que você seja feliz, porque como já dizia Renato Russo : O que foi escondido é o que se escondeu e o que foi prometido ninguém prometeu nem foi tempo perdido, somos tão jovens !

E foi assim, assim que a gente acabou.